Adolescentes participam de encontro formativo do Arteiros

O Arteiros, projeto do CEDAP que leva arte e educação para jovens e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em Centros de Atendimento da Fundação CASA, recebeu  uma visita especial em um de seus encontros formativos de janeiro e fevereiro: um grupo de adolescentes do Centro de Atendimento Maestro Carlos Gomes esteve no CEDAP e contribuiu com suas impressões sobre o trabalho desenvolvido com os arte-educadores do projeto, em especial sobre oficinas de literatura marginal.

 

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Nos encontros, além de palestras e debate sobre literatura marginal, aconteceram exposições de fanzines e livros. Confira as impressões de alguns adolescentes:


SPIDER (18 anos)

"Foi uma satisfação conhecer o CEDAP, ambiente completo de energia positiva e que facilitou o momento de reflexão. Foi um dia inesquecível pra mim. Agradeço o convite e quero dizer que mesmo sendo a primeira vez, me senti em casa. Literatura marginal é só pra que é. Escrevo pouco com objetividade. Literatura marginal é a oficina cedida para periféricos e outros desenvolverem suas habilidades ocultas. A oficina é um espaço livre para pensar, cogitar e registrar a realidade, é um prazer poder participar desse movimento (é nois)."

DENTIN (17 ANOS)

"Foi um dia gratificante para podermos trocar experiências e aprender muito com os arte-educadores. Na minha concepção, literatura marginal é uma literatura que fala do povo oprimido, ou seja, as pessoas da periferia. A oficina é muito importante pra mim, porque além de aprender, também é um tempo de reflexão, e também para desenvolvermos a paciência. Acredito que muitos estão privados de liberdade por falta de desenvolvimento da tal paciência. Agradeço a todos os arte-educadores por acreditarem na nossa regeneração e pelo apoio."

PEIXÃO (17 ANOS)

"Muito bom porque eu conheci pessoas que acreditam em mim. É tudo que vem da margem, é o significado de marginal. Foi para mostrar quem eu sou de verdade, porque minha mente sã é libertária."

POTI (17 ANOS)

"Foi um dia super bacana, uma experiência nova, gostei muito de participar, amei de verdade o local, as pessoas, e achei esse debate muito importante para minha vida. Inclusive quando eu sair em liberdade, vou visitar novamente (o CEDAP) e quem sabe começar a frequentar mais vezes. É algo que se constrói vivendo em periferia, é saber conhecer os dois lados da vida, saber dar valor ao próximo e através da escrita poder lutar por uma vida justa, sem desigualdade. A oficina é muito importante no meu cotidiano, porque apesar de estar privado de liberdade, através da leitura e da escrita poder conseguir mudar de vida e deixar de lado o crime. Depois que conheci a literatura marginal, hoje só penso em mudar e dar orgulho à minha família."

MC CALIBÃ (18 ANOS)

"Foi um dia muito satisfatório onde pude conhecer pessoas que fazem tudo isso acontecer, que colocam em prática tudo aquilo que traz aprendizagem para nós. Literatura marginal pode ser vários estilos de escrita, poesias, letras de música no meu caso. Canto funk e adoro. Existem várias formas de escrever o funk e uma delas é de maneira consciente com críticas, histórias verídicas, amor, família. É importante pois me traz aprendizagem na forma de pensar. Aprendemos também que nem tudo é proibido, muitas coisas podem ser consideradas agressivas, mas na literatura marginal surge uma nova construção de uma mente sã e libertária."


Para Luiz Claudio Oliveira, arte-educador de Literatura Marginal ficou “confirmado que a poesia  faz as pessoas exergarem aos outros e a si, desperta amor  e esperança em nossas vidas. A arte nos leva a compreender a realidade e transforma-lá". E segundo Oliveira, no encontro surgiu também uma proposta de elaboração de um fanzine, cujo nome não poderia ser mais apropriado: "Mentes Pensantes".

Para a arte-educadora Thatha Oliveros a participação dos adolescentes no encontro formativo "só reforça que estamos nesse projeto - resistindo e subvertendo - e é nossa responsabilidade a todo momento mostrar que existe um caminho."

"respeito máximo aos guerreiros
que nesse mundo cão
libertam a mente
quebrando a corrente"


(Com a contribuição de Luiz Claudio Oliveira e equipe Arteiros - CEDAP).

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