Seminário do CEDAP mobilizou rede socioassistencial

O seminário “Tanta Violência: Não é Certo!” promovido pelo projeto Ateliê Escola – Convivência e Arte e organizado pelo Centro de Educação e Assessoria Popular – CEDAP no dia 12 de junho mobilizou profissionais da rede socioassistencial de Campinas e região para os desafios do pós-cumprimento de medidas socioeducativas que os jovens e adolescentes em conflito com a lei enfrentam. O projeto Ateliê Escola mostrou durante o evento que é preciso manter vínculos e mostrar novos caminhos para que as mudanças possam ocorrer na vida deles.

O Seminário “Tanta Violência: Não É Certo!” organizado pelo Centro de Educação e Assessoria Popular – CEDAP por meio do projeto Ateliê Escola – Convivência e Arte reuniu mais de 150 profissionais que atuam na rede socioassistencial de Campinas e região. O evento permitiu o debate e reflexão entre os participantes e palestrantes sobre os desafios enfrentados tanto por jovens e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, bem como por seus familiares, e os profissionais que atuam na área.
 
A mesa de abertura contou com a presença do presidente do CEDAP, José Aparecido dos Santos (Tejota) e representantes da Prefeitura Municipal de Campinas e da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social (SMCAIS).
 
A apresentação do Ateliê Escola – Convivência e Arte pela coordenadora do projeto Mariana Saes mostrou que a ação patrocinada pela Petrobras, e que acontece em Campinas de forma pioneira desde 2011, é uma alternativa real de mudança para os jovens e adolescentes que frequentam as oficinas de arte-educação no CEDAP após cumprirem as medidas socioeducativas. “Eles enfrentaram uma série de privações ao longo da vida, e entraram em conflito com a lei. Eles vem ao Ateliê Escola livremente. Não é uma obrigação participar do projeto. Eles vem por que querem mudar, porque gostam da convivência, e formam vínculos com os profissionais, e com outros jovens”, explicou Saes. “O projeto reforça a relevância do trabalho das Organizações da Sociedade Civil na inclusão e atendimento destes jovens e adolescentes: 88% dos participantes do projeto do CEDAP não reincidem, ou seja, não cometem novos atos infracionais”, ressaltou Mariana Saes.
 
Outra demonstração do impacto positivo da arte-educação e do Ateliê Escola na vida destes jovens e adolescentes veio com a divulgação da pesquisa “A juventude egressa de medidas socioeducativas e os desafios do Projeto Ateliê Escola do CEDAP em Campinas”, apresentada pela doutora em Sociologia Doraci Alves Lopes (Profa. Titular aposentada PUC-CAMPINAS). Elaborada com entrevistas individuais com um grupo de jovens que participam do projeto, a pesquisa trouxe à luz as percepções deles em afirmações como “o CEDAP mudou minha vida” e “conheci a Casa (CEDAP) e comecei a frequentar. (...) eu entrei, me apaixonei”.
 
“Fica claro nos depoimentos que eles tem percepção e vontade de mudar. O que falta é política pública que ouça o que eles tem a dizer, que inclua-os como reais protagonistas no desenvolvimento destas políticas, e não apenas como meros beneficiários das ações do poder público”, reforçou a professora Doraci Alves Lopes no seminário.
 
No segundo período, após o debate, Martha Florença de Souza Coridola, coordenadora regional do Programa Se Liga em Belo Horizonte-MG apresentou a “Experiência de política pública de Minas Gerais com adolescentes egressos de medida socioeducativa - Programa Se Liga MG”, acompanhada de Glauce Rotondo.
 
A experiência mineira tem por objetivo acompanhar adolescentes que concluíram as medidas socioeducativas de semiliberdade e (ou) internação. O acompanhamento consiste em ações voltadas para o adolescente nas áreas de profissionalização, educação, trabalho e renda, saúde, cultura, esporte, lazer e família, levando em consideração os encaminhamentos realizados no cumprimento da medida, bem como suas expectativas. Para tanto, o Programa trabalha com os adolescentes em atendimento, e na articulação contínua da rede social em torno dos eixos de atuação. “O Se Liga se constitui como um dispositivo de enlace dos adolescentes à cidade e à rede, de modo que possam prescindir da trajetória infracional. A Participação no programa é voluntária”, explicou Martha Coridola.
 
Fechando o seminário, Paulo Mariante, presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos de Campinas, ministrou a palestra “Diálogo com os Direitos Humanos”. Mariante levantou uma série de questionamentos acerca do modo de vida atual e dos valores da sociedade, que “separa quem pode pagar por boa Educação ou Saúde daqueles que não podem”. “Se para ter um bom ensino, é preciso pagar em dinheiro, então como fica o direito universal à Educação previsto pela nossa Constituição e pelos Direitos Humanos?” indagou. “São questões que precisamos refletir, pois estão no cerne dos nossos problemas sociais de violência e desigualdade”, adicionou Mariante.

O seminário foi encerrado com apresentações musicais, de capoeira e artísticas com a participação de adolescentes do projeto Ateliê Escola, e do projeto Arteiros, também desenvolvido pelo CEDAP. Saiba mais sobre estes projetos no site do CEDAP.

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